Hidratação
Essencial para a performance esportiva

Por Paula Gracia Koppe Colleoni

Para suportar a contração do músculo esquelético durante o exercício, o organismo aumenta o metabolismo corporal entre 5 e 15 vezes em relação ao repouso. Aproximadamente 70-90% desta energia é liberada através do calor, que precisa ser dissipada através do suor para que a temperatura corporal seja mantida (1).

A perda excessiva de líquidos pelo suor ou a má reposição hídrica pode provocar a redução do conteúdo corporal de água (hipohidratação ou desidratação) que quando se apresenta maior ou igual a 2% do peso corporal (algo como 1,2L para um indivíduo de 60kg) provoca efeitos negativos sobre o metabolismo. O estado de desidratação pode ser associado à redução no rendimento físico, na percepção de sede, nas funções cardiovasculares, termorregulatorias (2) e cognitivas (3).

Normalmente os atletas repõem entre 30 e 70% das perdas hídricas provocadas pelo exercício. Este fato está normalmente relacionado ao esquecimento ou ao receio de sentir desconforto gástrico ou ao difícil acesso ou até mesmo a falta de hábito (4).

O consumo adequado de fluidos durante o exercício previne a redução no volume plasmático, na irrigação da pele, da percepção de esforço e do progressivo aumento dos batimentos cardíacos (5). Sendo assim, é importante que se facilite e incentive o consumo de líquidos antes, durante e após a pratica esportiva.

Estudos demonstram que uma forma de se incentivar o consumo de líquidos durante o exercício é ofertá-los em uma temperatura aproximada de 4 – 5 ºC (6, 7, 8), aromatizado e com adição de sódio (4).

A temperatura da bebida mostra-se positiva sobre a melhora no desempenho de exercícios de endurance, uma vez que a maior palatabilidade promove um maior equilíbrio nas perdas pelo suor assim como a temperatura da bebida promove um maior controle sobre a temperatura corporal (6, 7, 9).

Além da temperatura, o conteúdo de sódio parece auxiliar no volume de líquidos consumidos durante a prática de exercícios uma vez que a sensação de um fluido na boca envia sinais nervosos ao cérebro que cessa a vontade de beber. Quando uma bebida com baixas quantidades de sódio como a água e os sucos são consumidos, o desejo de beber desaparece antes que o atleta tenha consumido fluido suficiente para equilibrar as perdas pelo suor (AIS).

O consumo de bebidas adicionadas de sódio também são importantes para se prevenir a hiponatremia (baixos níveis de sódio no sangue), situação que causa sintomas similares à desidratação e é potencialmente fatal. Não é freqüente acontecer à instalação da hiponatremia, entretanto, pode ocorrer em eventos longos de endurance (> 2 horas) quando grandes volumes de bebidas com baixo teor de sódio são consumidas ou ocorrem grandes perdas hídricas pelo suor (4).

Para se garantir uma reposição hídrica adequada, é importante que se faça um planejamento levando em consideração as preferências do atleta e as oportunidades de ingestão durante a prática do esporte (4).

Felizmente, os atletas podem estimar facilmente suas necessidades hídricas ao se pesarem antes e após a sessão de exercício. Cada quilograma de peso reduzido é equivalente a um litro de líquido. Adicionando sobre este peso qualquer bebida ou alimento consumido durante a sessão de exercício será a estimativa total de fluido perdido durante a sessão. Por exemplo, um atleta que termina a sessão de exercício 1kg mais leve e que tenha consumido 1 litro de água durante o exercício terá uma perda total de líquido a ser reposta de 2 litros(4).

Entretanto, mesmo com a fácil mensuração da redução hídrica, a melhor forma de manter o equilíbrio corporal é iniciar o consumo de fluidos o quanto antes durante o exercício e adotar o padrão de ingerir pequenos volumes regularmente ao contrário de tentar tolerar grandes volumes de uma só vez. A maioria dos atletas pode tolerar entre 200 e 300 ml a cada 15-20 minutos, entretanto, esta tolerância ainda dependerá da intensidade do exercício (4).

Verifique se o seu consumo diário de líquidos é apropriado


REFERÊNCIAS
1. Sawka MN, Wenger CB, Pandolf KB. Thermoregulatory responses to acute exercise-heat stress and heat acclimation. In: Fregly MJ, Blatteis CM, eds. Handbook of physiology. Section 4, environmental physiology. New York: Oxford University Press, 1996:157–85.
2. Sawka, M. N. Physiological consequences of hypohydration: exercise performance and thermoregulation. Med Sci Sports Exerc 1992; 24: 657–670.
3. Grandjean AC, Grandjean NR. Dehydration and Cognitive Performance. J Am College of Nutr 2007; 26:549S-554S.
4. Department of Sports Nutrition, AIS. Fluid - who needs it?. Australian Institute of sport 2004. Disponível em: URL: http://www.ais.org.au/nutrition
5. Noakes TD. Fluid replacement during exercise. Exerc Sport Sci Rev. 1993;21:297-330.
6. Sun WM, Houghton LA, Read NW, Grundy DG, Johnson AG. Effect of meal temperature on gastric emptying of liquids in man. Gut 1988;29, 302–305.
7. McArthur KE, Feldman M. Gastric acid secretion, gastrin release, and gastric temperature in humans as affected by liquid meal temperature. Am J Clin Nutr 1989;49, 51–54.
8. Costill DL, Saltin B. Factors limiting gastric emptying during rest and exercise. J Appl Physiol 1974;37, 679–683.
9. Mundel T, King J, Collacott E, Jones DA. Drink temperature influences fluid intake and endurance capacity in men during exercise in a hot, dry environment. Exp Physiol 2006;91.5:925–933.

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